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Num certo domingo destes um tanto quanto ensolarado, havia sido convidado por um amigo a conhecer algo que, de outras formas, talvez tivesse deixado de lado: conhecer uma tal de “abelha sem ferrão”!

Mas como? Isso existe? Sempre soube da dor incrível provocado pelos ferrões dessas doces criaturas!

É, e para isso fui dar uma “pesquisadinha básica” com meu amigo americano. Eis o que ele me falou sobre elas: Os meliponídeos, como são chamadas as espécies da tribo Meliponini, são abelhas sociais encontradas tipicamente nas regiões tropicais e subtropicais do planeta, e são caracterizadas por apresentarem um ferrão atrofiado que não serve para defesa; daí a designação sem ferrão. Os estudos científicos sobre essas abelhas são recentes e pouco desenvolvidos, ao contrário das Apis. Inclusive há controvérsias sobre como classificá-las zoologicamente.

No esquema da página 2 vê-se uma das classificações adotadas. A SUPERFAMÍLIA Meliponinae é dividida em três TRIBOS: Trigonini, Meliponini, Lestrimellitini. Das Lestrimellitini, grupo de abelhas sociais parasitas, foi estudado o suficiente.

Nada complicado. E nada conclusivo assim. Então, só indo olhar isso de perto.

Marcamos um encontro e ele me pegou no caminho da Floresta da Tijuca. Pronto, lá vem esse louco pensando que vou ficar caminhando no meio da floresta com toda essa minha adiposidade quase toda sedentária? A conversa rolou animada no carro.

Procurar vaga num domingo ensolarado na Floresta da Tijuca não é tarefa para qualquer um: MUITA gente vai pra lá, queimar uma carninha à sombra das árvores…

Logo chegamos a um lugar que eu poderia chamar de vila de abelhas, com suas casinhas (pode ser?) bem arrumadinhas e enfileiradas seguindo uma calçadinha para o pessoal (principalmente as crianças) poderem chegar perto.

O entra e sai delas denota a constante movimentação na produção daquele líquido divino.

Eis que toda uma parafernália de engrenagens e vidros, vasilhas, canos e bombinhas já estavam sendo manipuladas para a extração do dia. Um pote com aproximadamente 200ml daquele ouro. Um gosto suave, distante daquele sabor muito açucarado das que já povoam nossas papilas gustativas por tempos. Um toque levemente ácido, mas saboroso, instigante.

Provei. Gostei e recebi uma incumbência: preparar um prato com ele para que pudesse servir de estímulo para outros apreciadores destas maravilhas que só a mãe Natureza pode nos dar na boca.

Mas, antes de voltarmos para casa, ainda fizemos a troca de casas de uma família delas. Era preciso o remanejamento para manter a família integra. Feito isto, voltar para casa com a cabeça fervilhando.

Bem, o tempo foi passando e eu precisava concluir esse trabalho…

Ai, fui levado pela vida a comer, novamente, filé de tilápia chamada de Saint Peter. Avesso aos pescados produzidos em cativeiro, mas curioso de revisitar esse sabor que um dia havia me apaixonado ao experimentá-lo no restaurante do Boliviano-Amigo Checho Gonzales, lá fui eu para as caçarolas ou, como queiram, às frigideiras.

A manteiga de ervas tinha apenas salsinha e alecrim, finamente picadas e secas para “dar a graça” de umas pintinhas verdes no amarelo dela. Um dedinho de óleo de olivas serviu de fundo para aquele belo filé com a marca escura dos caminhos da sua espinha central. Quieto ali, ficou dourando. Virado para complementar o bronzeamento, um fino fio do ouro líquido colhido na Floresta caiu sobre o filé, de forma que ele caísse na frigideira e complementasse o trabalho.

Um creme de frutos da terra (batata “inglesa” e doce) cozidas com casca e no vapor, foram passadas em peneira de malha fina e adicionada uma pequena porção de manteiga sem sal.

Sobre o creme, folhas de espinafre ao vapor serviam de base para o peixe. Azeite denso português e flor de sal completaram.
Simples assim. Delicioso assim.

Vais fazer?

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